domingo, 31 de julho de 2016

Denúncia e Apelo



Somos um grupo de amigos do Concelho de Vila Nova de Famalicão que nos  reunimos várias vezes em  tertúlias  para analisar o estado do folclore em  Vila Nova de Famalicão  e numa dessas tertúlias estes dias um amigo teve esta expressão “ o Concelho de Vila Nova de Famalicão é um dos Concelhos mais mentirosos no folclore em Portugal ” claro como famalicense fiquei triste, mas tive de concordar com ele , porque segundo ele  tirando o Rancho Regional de Fradelos  a Rusga de Joane e  o Danças e Cantares de Joane e mais um ou outro o folclore dos restantes é uma mentira, de facto ele tem razão. 
  Não porque não tenham o apoio da autarquia e juntas de freguesias ,mas porque tem nas suas direcções dirigentes que não gostam de etnografia e folclore apenas são dirigentes por interesse e vaidade  , nessa tertúlia houve outro  amigo fez uma  denuncia de  uma tentativa de aliciamento de um desses dirigentes que lhe ofereceu  uma determinada verba boa para o nosso amigo fazer parte do rancho desse dirigente . Esse amigo teve o bom senso e recusou, apenas lhe perguntou “quanto ganhava lá um dançador já que ele pagava a uma pessoa para ser director mesmo sem ser eleito e sem ser sócio ” a resposta foi pronta desse dirigente “eles o que querem é dançar e não se importam com mais nada”.
  Caros amigos como famalicense fiquei extremamente triste e chocado com estas declarações e não deixei de lamentar esta situação, somos um concelho com vinte e tal ranchos mas na verdade a maior parte deles não tem qualquer cultura e representação folclórica, não como disse por falta de apoio da autarquia e juntas de freguesias, mas porque tem a dirigi-los gente sem escrúpulos sem o mínimo de vergonha na cara e a nossa conclusão foi unânime “esses dirigentes andam a destruir o legado dos nossos antepassados, já destruíram a Associação de Folclore Famalicense e vão destruir todo um lindo legado que existe em Famalicão se assim continuar ”senão vejamos aqui as mentiras que há em Famalicão e que as fotos documentam.




 Meus caros amigos famalicenses que gostam de etnografia e folclore vamos dar as mãos e unir-nos e vamos formar a uma associação de folclore no nosso concelho para que essa associação seja uma entidade reguladora do folclore famalicense e para que o nosso concelho seja um concelho em que as pessoas tenham orgulho de fazerem parte de um movimento folclórico concelhio que represente com dignidade as nossas raízes e os usos e costumes tradições dos nossos antepassados e que os jovens não tenham qualquer constrangimento de fazerem parte da família do folclore famalicense e assim engrossem as suas fileiras.  


   Nota;) Este texto foi elaborado por um grupo de  amigos famalicenses que se reúnem  várias vezes para falar e debater o estado de folclore em Vila Nova de Famalicão  .

sábado, 2 de julho de 2016

Permutas e Critérios nos Festivais de Folclore


O folclore debate-se actualmente com um problemas bastante sério que coloca em causa a credibilidade do trabalho daqueles que procuram realizá-lo com seriedade: a persistente falta de qualidade e representação de alguns grupos folclóricos. Não existe nenhum meio de impedir o aparecimento de grupos estranhos ao folclore. Mas cabe a todos que estudam e tentam preservar a cultura popular portuguesa neste caso a etnografia e o folclore, denunciar esses grupos estranhos que apenas  andam e a deturpar as vivencias os usos e costumes e tradições dos nossos antepassados  e a envergonhar toda a gente que ama a etnografia e o folclore .

Porém, os organizadores dos festivais nem sempre estão atentos a quem vão convidar e não procuram verificar a qualidade da sua representação. E, em consequência dessa forma descuidada e menos responsável, a participação de grupos que nada tem a ver com folclore e etnografia apenas vem descredibilizar a entidade organizadora do evento e os demais participantes no festival.
Esta situação prejudica também o movimento folclórico no seu conjunto, denegrindo o trabalho que é desenvolvido por muitos grupos folclóricos, etnógrafos e outras entidades ligadas ao folclore.
Por isso os organizadores de festivais devem ser mais criteriosos na escolha dos grupos participantes e na elaboração do programa.
 E quanto àqueles grupos folclóricos que desejam preservar a sua imagem, devem cuidar de saber previamente com quem vão partilhar o palco, as características do espectáculo e, se for caso disso, recusarem-se liminarmente a participar num evento que em nada os dignifica. Sem uma atitude firme, o folclore continuará a manter-se como parente pobre da cultura popular portuguesa  e sujeitar-se à conotação pejorativa de que tem sido alvo!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

O Xaile



É há séculos peça de vestuário transversal à vida das mulheres. Nos nascimentos, nos eventos públicos, no luto e na dor. O xaile terá chegado à Europa depois de uma viagem desde a Ásia. Portugal acolheu-o  gradualmente. Encontramos-lo de Trás-os-Montes ao Algarve: de cercadura, xadrez, barra azul, seda, feltrado, chinês.
Os primeiros xailes que chegaram à Europa vieram de Caxemira, na Índia, «descobertos» por viajantes (principalmente ingleses) que os traziam como presentes para esposas, mães e filhas.
Diz-se que, em 1796, um persa cego chamado Yehyah Sayyid visitou Cachemira e o governador afegão ofereceu-lhe um xaile. Sayyid, por sua vez, ofereceu-o ao Quediva do Egipto, que o presenteou a Napoleão. Este deu-o à sua esposa, a Imperatriz Josefina de Beauharnais.

Em França o xaile causou inveja e em breve as mulheres elegantes procuraram por todo os meios obter o seu próprio xaile de Caxemira.

Os xailes tornaram-se o desejo de qualquer dama elegante da Europa. A raridade, elevado preço e muita procura fomentou o surgimento de imitações em França, Alemanha e Inglaterra, produzidas com lã de cabra, lã merina, de seda e de algodão.

Introdução em Portugal
O xaile terá chegado a Portugal sensivelmente na mesma altura que ao resto da Europa, diz-se que também trazido por marinheiros regressados do Oriente. Francisco Ribeiro da Silva detectou a presença de um xaile entre o rol das mercadorias confiscadas na Alfandega do Porto entre 1789 e 1791.


Como é óbvio, sendo um artigo contrabandeado significa que existia uma procura, um mercado. Seria um produto apenas ao alcance de alguns privilegiados. Por via do contrabando os ricos não privilegiados conseguiam obter produtos que os colocavam a par dos privilegiados e, aparentemente, o xaile seria um excelente sinal exterior de riqueza.


A inscrição da palavra «Chalé» no dicionário de António Morais Silva significa que esta peça de vestuário era já conhecida e utilizada em Portugal no primeiro quartel do século XIX.
  Xaile de origem espanhola estará directamente relacionada com o «Manton de Manila». Ao que se diz foi inventado pelas operárias das fábricas de tabaco em Sevilha. As folhas de tabaco vinham das Filipinas embrulhadas em panos chineses velhos, muito ornamentados e de forma quadrangular. As mulheres cortavam-nos e colocavam-nos em triângulo sobre os ombros deixavam os braços livres para trabalhar e simultaneamente protegiam do frio. Era prático, mesmo para uma saída rápida à rua.

António Morais Silva faz ainda referência à origem do xaile, situando-a na Índia Oriental e à sua difusão entre as mulheres da sociedade inglesa.

Como é do conhecimento geral, entre nós a moda foi sempre muito influenciada pelo estrangeiro e este terá sido o principal motor para a introdução do xaile em Portugal, sendo mais plausível que a palavra xaile provenha da denominação inglesa «shawl», do que da sua origem persa «Shãl» (shawl, chalé, xale, xaile).

Certo é que os primeiros xailes foram importados e simbolizavam estatuto social e poder económico só ao alcance de alguns.

A conjuntura sócio económica e a popularização do xaile:
O xaile só chega às camadas populares no início do século XX, em resultado de um conjunto de circunstâncias sócio económicas favoráveis.
Em 1913/1914 o preço de um xaile dos Pirenéus, vendido nos Armazéns do Grandela (Lisboa) variava entre os 3.600 e 5.500 réis. Por comparação, uma operária fabril ganhava entre 4.160 e 5.720 réis/mês

De artigo de luxo a peça de indumentária popular feminina:
A mulher camponesa sempre usou pelas costas uma espécie de agasalho, uma saia dobrada, capa, capucha, capoteira ou mantéu e finalmente apareceu o xaile. O xaile, beneficiando da nova conjuntura torna-se mais acessível às bolsas populares e contribui também imenso para o desenvolvimento da indústria.
Por outro lado a preferência popular pelo xaile decorre do facto de ser prático no uso diário (permitia maior amplitude e liberdade de movimentos); possui durabilidade (grande resistência, o que os tornava mais duráveis); facilidade de manter e acondicionar (não necessitava de grandes cuidados com limpeza e ocupa pouco espaço quando arrecadado); a função de compor a figura (uma mulher envolta num xaile escondia a pobreza do seu trajar, dando-lhe dignidade).

O xaile está assim presente em todas as ocasiões da vida da mulher-mãe: como aconchego para o recém-nascido, aos domingos e dias de festa é um complemento do melhor fato (o xaile como «tapa misérias»). Servia de peça de enxoval e complemento do trajo de noiva. Funcionava como resguardo do frio e da chuva.
Nos momentos de tristeza ajudava a esconder  a cara do sofrimento. No luto cobria o corpo. É a peça que melhor passava de mãe para filha, uma vez que na maioria das vezes nada mais havia para herdar.


Embora possamos encontrar xailes em todas as regiões do país, o gosto, os costumes locais e a riqueza da região ditaram preferências por determinados tipos de xaile.

Em Trás-os-Montes e nas Beiras o xaile é negro, seja domingueiro ou de uso diário. No Alentejo, Ribatejo e Algarve além do negro, surgem outras cores, como o castanho ou o cinzento, lisos ou com padrões sóbrios.


O xaile adquire expressão máxima na região da Beira Litoral, sobretudo nos distritos de Aveiro e Coimbra, que considero a «Capital do Xaile». Nesta região, o gosto popular pelo uso do xaile enquanto complemento e adorno do traje, levou ao uso de uma multiplicidade de tecidos de materiais diversos, de padrões, de estampados e de cores inaudito e singular, fomentando uma indústria e um conjunto de artes e ofícios intimamente relacionado com esta peça de vestuário


 


 Nota;) O texto aqui reproduzido é uma súmula da apresentação que Carlos Cardoso, autor do blogue Trajes de Portugal, fez nas XVII Jornadas Técnicas de Etno-folclore, organizadas em Novembro de 2011 pela Associação de Folclore e Etnografia da Região do Mondego na Casa Municipal da Cultura, em Coimbra.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

EM MEU ENTENDER…

     Há uns tempos atrás li um texto de opinião do meu amigo Senhor Lino Mendes e o achei interessante e por isso resolvi o publicar aqui,   para que todos que gostam de folclore o possam usar como um guia para uma possível ajuda. Desde já peço ao meu amigo as minhas desculpas por o publicar sem a sua permissão .
  

O que é/deve ser, então” um “grupo de folclore”?


Digamos que um “museu vivo” dos tempos de antigamente, quando as comunidades eram a expressão do tradicional. E para o efeito tudo o que se necessita se vai buscar ao folclore. Sem que haja uma data certa para todas as regiões, penso eu que o folclore deixou de evoluir como tal entre finais do século XIX, início do século XX, indo até mais ou menos aos anos 20/30— conforme a chegada do progresso. Escolhido então o período que se pretende abranger, as primeiras questões que se nos colocam é saber como vestiam, o que cantavam, o que bailavam e como o faziam –o que depois vai estar interligado com muitas outras questões Mas atenção que o “Folclore” não é apenas e para além do trajo, o “cantar” e o “bailar” mas todas as vivências do povo nesse tempo.
     
Trajos

Há que saber o que vestiam, tanto o homem como a mulher, de semana e ao domingo, festas e romarias, casamentos, no trabalho, nas diversas circunstâncias. O que tem a ver como o modelo da peça e o respectivo tecido.

Cantigas:
 A letra e a melodia, que hoje é possível gravar e passar a “pauta ”para que se mantenha     
     sem alterações.

     Modas/Peças

     Ver qual a coreografia que se usava.


      Nota final:
    Tem que haver rigor. Claro que as recolhas não nos dão o “puro” ou o “genuíno” como       alguns afirmam. Mas o “mais representativo possível” não pode haver qualquer alteração, só  porque fica mais bonito, só porque o ensaiador assim entende.
Como compreenderão, não podemos aqui entrar no pormenor, pois como repetiremos a seguir, cada terra com o seu uso…..
Quanto aos trajos que vão/ou estão a usar, há quem escolha, por exemplo, só o domingueiro. Claro que respeito a ideia, porque quem manda no grupo é o próprio grupo, mas eu considero que deve haver a maior variedade possível de trajos pois só assim ali estará a imagem do povo..

Mas eu não tenho a verdade absoluta nem sei tudo…

Nota;) As fotos são um acrescento meu .