quinta-feira, 9 de março de 2017

Património da Cultura Popular Maltratado



Há uma certa ilusão que vem do Estado Novo, muito pela divisão regionalista, de que há características que diferem de uma aldeia para a outra. Recordo que as pessoas sempre tiveram migrações de trabalho na época do tempo da ditadura e levavam as músicas de um lado para o outro. Mas é verdade que há registos que, sabemos, são característicos de determinadas regiões: sabemos que temos gaitas galegas no Minho, gaitas mirandesas em Trás-os-Montes, os adufes na Beira Baixa, as violas de campaniças no Alentejo e amarantinas no Alto Douro, as braguesas no Minho, as violas da terra nos Açores ou as violas de arame na Madeira. Contudo, a riqueza é imensa porque o país também tem esta grande multiculturalidade e tão rico nestas tradições.

É importante que as pessoas e fundamental que não se esqueçam da tradição, do património imaterial e de todas as memórias relacionadas com a tradição oral portuguesa. Começo por dizer que, por exemplo, quando vamos ver o «Povo que Canta», de Michel Giacometti, filmado nos anos de 1970, vemos pessoas novas a cantar, mas hoje ainda há uma certa camada da população que tem a noção que só os velhos que é cantam esses cantares e que ainda mantém estas tradições, mas não é verdade porque podemos comprovar que cada vez mais os jovens estão presentes quer em grupos ou em ranchos de folclore e é ai como toda a gente sabe que esses grupos são os fiéis representantes desses tempos ancestrais 

Se o património material está a cair, o imaterial está pior ainda, tem sido muito maltratado. Portugal não tem auto-estima e não é só na música. A música portuguesa não gosta dela própria, tal como a cultura não gosta dela própria, certas pessoas não vêem essas riquezas. Continuamos sem um programa de televisão, por exemplo, que fale sobre as nossas tradições e as memórias musicais. Isto, de certa forma, tem a ver com um certo preconceito rural que ainda existe em Portugal. 
As pessoas acham que tudo o que vem do mundo rural é sinónimo de ultrapassado. E isso é triste. É fundamental mostrar estas riquezas porque um dia vão morrer sem a maioria da população as conhecer. Já basta a crise económica, não podemos alimentar mais uma crise identidária que, como sabemos, não é de agora. As pessoas acham que tudo o que vem do mundo rural é sinónimo de ultrapassado.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Sobre os véus, noivos e missais



 Li um artigo de opinião no Jornal Folclore há tempos sobre o véu com muita atenção e estou de acordo com ele, pois como sabemos o véu era usado pela burguesia e parte da burguesia tinha capelas privadas e como tal não andavam com ele pelas ruas, li também que muitos grupos e ranchos de folclore não se apresentam com  noivos no seu elenco  e até concordo porque a minha avó me disse muitas vezes que casou de manhã e á tarde já foi trabalhar para o campo mais o meu avô e a roupa dela no dia do casamento era a que usava ao domingo porque não havia dinheiro para comprar uma nova. 

Temos também visto mulheres que se apresentam nos ranchos folclóricos com missais, acho isso uma aberração, pois a maior parte das mulheres nem sabiam ler nos tempos passados e como tal o missal não tem qualquer ligação á classe mais pobre porque é essa classe que o folclore representa maioritariamente porque os senhoras ricas que eram as que sabiam ler (mas nem todas também) e não se misturavam com a classe pobre, por isso eu acho que o véu não deve usado, mas está é a minha opinião, mas sim um lenço que era passado de geração em geração.

 Há muitas mulheres nos grupos e ranchos de folclore que usam lenços que eram das avós delas e por aquilo que sabe muitos desses lenços foram usados nos casamentos. Este é o resultado de uma pesquisa que eu também fiz e que merece maior consenso de varias pessoas que integram o movimento folclórico mas respeito quem possa ter uma opinião diferente da minha.

domingo, 31 de julho de 2016

Denúncia e Apelo



Somos um grupo de amigos do Concelho de Vila Nova de Famalicão que nos  reunimos várias vezes em  tertúlias  para analisar o estado do folclore em  Vila Nova de Famalicão  e numa dessas tertúlias estes dias um amigo teve esta expressão “ o Concelho de Vila Nova de Famalicão é um dos Concelhos mais mentirosos no folclore em Portugal ” claro como famalicense fiquei triste, mas tive de concordar com ele , porque segundo ele  tirando o Rancho Regional de Fradelos  a Rusga de Joane e  o Danças e Cantares de Joane e mais um ou outro o folclore dos restantes é uma mentira, de facto ele tem razão. 
  Não porque não tenham o apoio da autarquia e juntas de freguesias ,mas porque tem nas suas direcções dirigentes que não gostam de etnografia e folclore apenas são dirigentes por interesse e vaidade  , nessa tertúlia houve outro  amigo fez uma  denuncia de  uma tentativa de aliciamento de um desses dirigentes que lhe ofereceu  uma determinada verba boa para o nosso amigo fazer parte do rancho desse dirigente . Esse amigo teve o bom senso e recusou, apenas lhe perguntou “quanto ganhava lá um dançador já que ele pagava a uma pessoa para ser director mesmo sem ser eleito e sem ser sócio ” a resposta foi pronta desse dirigente “eles o que querem é dançar e não se importam com mais nada”.
  Caros amigos como famalicense fiquei extremamente triste e chocado com estas declarações e não deixei de lamentar esta situação, somos um concelho com vinte e tal ranchos mas na verdade a maior parte deles não tem qualquer cultura e representação folclórica, não como disse por falta de apoio da autarquia e juntas de freguesias, mas porque tem a dirigi-los gente sem escrúpulos sem o mínimo de vergonha na cara e a nossa conclusão foi unânime “esses dirigentes andam a destruir o legado dos nossos antepassados, já destruíram a Associação de Folclore Famalicense e vão destruir todo um lindo legado que existe em Famalicão se assim continuar ”senão vejamos aqui as mentiras que há em Famalicão e que as fotos documentam.




 Meus caros amigos famalicenses que gostam de etnografia e folclore vamos dar as mãos e unir-nos e vamos formar a uma associação de folclore no nosso concelho para que essa associação seja uma entidade reguladora do folclore famalicense e para que o nosso concelho seja um concelho em que as pessoas tenham orgulho de fazerem parte de um movimento folclórico concelhio que represente com dignidade as nossas raízes e os usos e costumes tradições dos nossos antepassados e que os jovens não tenham qualquer constrangimento de fazerem parte da família do folclore famalicense e assim engrossem as suas fileiras.  


   Nota;) Este texto foi elaborado por um grupo de  amigos famalicenses que se reúnem  várias vezes para falar e debater o estado de folclore em Vila Nova de Famalicão  .

sábado, 2 de julho de 2016

Permutas e Critérios nos Festivais de Folclore


O folclore debate-se actualmente com um problemas bastante sério que coloca em causa a credibilidade do trabalho daqueles que procuram realizá-lo com seriedade: a persistente falta de qualidade e representação de alguns grupos folclóricos. Não existe nenhum meio de impedir o aparecimento de grupos estranhos ao folclore. Mas cabe a todos que estudam e tentam preservar a cultura popular portuguesa neste caso a etnografia e o folclore, denunciar esses grupos estranhos que apenas  andam e a deturpar as vivencias os usos e costumes e tradições dos nossos antepassados  e a envergonhar toda a gente que ama a etnografia e o folclore .

Porém, os organizadores dos festivais nem sempre estão atentos a quem vão convidar e não procuram verificar a qualidade da sua representação. E, em consequência dessa forma descuidada e menos responsável, a participação de grupos que nada tem a ver com folclore e etnografia apenas vem descredibilizar a entidade organizadora do evento e os demais participantes no festival.
Esta situação prejudica também o movimento folclórico no seu conjunto, denegrindo o trabalho que é desenvolvido por muitos grupos folclóricos, etnógrafos e outras entidades ligadas ao folclore.
Por isso os organizadores de festivais devem ser mais criteriosos na escolha dos grupos participantes e na elaboração do programa.
 E quanto àqueles grupos folclóricos que desejam preservar a sua imagem, devem cuidar de saber previamente com quem vão partilhar o palco, as características do espectáculo e, se for caso disso, recusarem-se liminarmente a participar num evento que em nada os dignifica. Sem uma atitude firme, o folclore continuará a manter-se como parente pobre da cultura popular portuguesa  e sujeitar-se à conotação pejorativa de que tem sido alvo!